


Projecto LiMux apresentado em Lisboa O maior projecto de Linux em toda a Europa foi hoje apresentado em Lisboa, no decorrer do V Encontro Nacional sobre Tecnologia Aberta, que tem lugar no auditório da Lispólis e é organizado pela Sybase, em parceria com a Adetti e a Caixa Mágica Software. Florian Schiel, director de Informática do Munich (Munique) Council, adiantou a propósito que os responsáveis daquela cidade bávara querem «ser polémicos, sem problemas, mas, sobretudo, eficazes.» Num auditório cheio como um ovo - o evento registou mais de 800 inscrições -, Florian Schiel deu a conhecer o projecto LiMux - software livre em Munique. A iniciativa, que teve início em 2003, consistiu na migração de todos os departamentos do município para software livre - Linux -, integrando algumas das suas antigas ferramentas da Microsoft com a plataforma OpenOffice.org. Munique tem cerca de 14 mil PCs, mais de 16 mil utilizadores, aproximadamente 120 aplicações e, em 2003, tinha quase 300 produtos de software diferentes. Além disso, o município é constituído por 12 departamentos e 17 unidades com a sua própria tecnologia. Quanto ao projecto, que inclui 120 membros, implicou custos na ordem dos 35 milhões de euros - internos e externos -, 38 por cento dos quais em gastos com formação. «Uma vez efectuado o levantamento das necessidades, recorremos ao e-procurement de service providers, dando prioridade a Pequenas e Médias Empresas da região da Baviera», revelou Florian Schiel. «Mudar para software livre permitiu-nos lidar com as nossas próprias tecnologias», acrescentou. O software escolhido foi o GOsa, da empresa bávara Gonicus, mas Munique não cortou pela raíz com tudo o que é Microsoft: «Não pudemos largar a Microsoft em todos os nossos desktops, por isso começámos por migrar para o Firefox Thunderbird e, mais tarde, para o OpenOffice.org.» Objectivos cumpridos e próximos passos O município de Munique desenvolveu uma aplicação OpenOffice.org, baseada em linguagem Java, que passou a ser utilizada pelos departamentos da edilidade. «Gastámos muito tempo e algum dinheiro para motivar os funcionários para esta mudança», disse Florian Schiel. «Houve alguma resistência, como há sempre que são feitas grandes alterações», adiantou o responsável. Em jeito de balanço, o director fez um ponto de situação relativo ao mês de Março de 2007: 330 PCs covertidos para Linux, 200 estações de trabalho adicionais instaladas e administradas, 1300 funcionários com formação em software open source, 80 administradores com formação em Linux e cerca de mil estações de trabalho com software livre a correr por baixo de ambientes Windows, número que deverá ascender a sete mil, até ao final do ano. O desenvolvimento gradual do sistema operativo do município e o acréscimo de departamentos totalmente migrados para software open source são os principais objectivos a cumprir num futuro próximo pelos responsáveis da capital da Baviera. «Não nos importamos, aliás, até queremos, ser polémicos, sem qualquer problema, mas pretendemos, sobretudo, ser eficazes», sustentou Florian Schiel. Nas sessões da manhã do V Encontro Nacional sobre Tecnologia Aberta, marcaram também presença Gabriel Coimbra, da IDC Portugal, que falou sobre a situação actual e tendências do open source e do Linux, Dan Kohn, COO da Linux Foundation, que discursou acerca da importância dos standards abertos no Linux, Paulo Trezentos, partner da Caixa Mágica Software e investigador da Adetti, e Rui Ribeiro, professional services manager da Sybase Portugal. A encerrar as sessões matutinas, teve lugar um debate, que contou com a participação, entre outros, de Marcos Santos, da Microsoft Portugal, Sérgio Amadeu, professor da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, no Brasil, Paulo Vilela, da Sun Microsystems, e Luís Diniz Santos, da IBM. Retirado de: http://www.i-gov.org Data: 2007-04-19